Antes que o dia amanheça

Esperar pra que,
Quando sussurro nos teus ouvidos,
Que estou louco de desejo,
Pra fazer amor contigo.

Como esperar,
Que passe as águas dos rios,
E não provoque na pele o mesmo ardor,
E o sabor desse nosso incontrolado arrepio.

Por que esperar,
Se agora mesmo sinto teus lábios,
Cheios, intensos e rosados,
Mesmo antes de te tocar.

Esperar quando o corpo inteiro se contorce em dores de extremo cansaço,
Só de imaginar o depois,
Dos nossos movimentos descontrolados.

Esperar seria adiar o inevitável,
Desconhecer o reconhecido,
Deixar de viver,
O que já se poderia ter vivido.

Esperar, apenas, e unicamente,
Se a aliança que exibes naquele dedo da tua mão
For maior do que o desejo contido,
No mais profundo dos abrigos,
Deste teu coração.

Antes que o dia amanheça,
E que ainda sem tuas vestes, te olhes no espelho;
Estarei  no reflexo,
De quem dividiu a noite contigo,
O mesmo travesseiro.

Esperar pra que?


                           



Carlos Lucchesi




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