Como Lavras de um Vulcão


Havia também suavidade,
Muito além do imaginado,
Um toque de magia, deixado pelo vento,
No mais profundo e incompreendido dos segredos.

 Nem mesmo o véu daquela longa noite abalou seu grande brilho,
E todos os caminhos circulavam ao redor.

Fosse o que fosse,
Já se tinha como inusitado,
O supremo inesperado e improvável de qualquer visão.

Como mergulhar em ondas turvas,
No mais temido,
E turbulento dos lagos.

Era preciso coragem pra tentar seguir e não mais recuar,
Diante do maior dos desafios,
Do enigma, nunca antes decifrado.

Veio o sol e o seu brilho foi ainda mais intenso;
De cegar a qualquer um, que tentasse ou ousasse aproximar.

Com muito esforço,
De relutar contra a própria natureza,
Mergulhei nas suas águas,
Ao alcance de tocá-la.

E vendo então ali seus seios descobertos,
Tal imagem de oásis, no mais árido dos desertos,
Pude entender toda razão:

Havia mais calor e luz nas curvas dela,
Do que nas lavras de um vulcão.

                        



Carlos Lucchesi


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