Flashes de Um Diário
                                                     

Alguns momentos em nossas vidas ficam marcados pra sempre. Como se tatuados em nossa memória. Esta página foi criada com o objetivo de contar alguns desses momentos; sem a obrigação da poética, ou da linguagem metafórica.

Nunca tive um diário pelo fato de se criar à obrigação de escrever. E escrevo pelo prazer de o fazer; quando tenho algo pra dizer e não porque tenho que dizer alguma coisa. Tampouco vivo do que escrevo, mas certamente vivo porque escrevo.

Assim, divido com vocês alguns desses meus momentos.


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Nunca fui de muitos amigos, nem namoradas. Sempre acreditei que coração e sentimentos deveriam ser divididos com pessoas e momentos especiais.

Certa ocasião, por causa da distância entre Eu e Ela, marcamos "UM Encontro Nas Estrelas".
Na noite e hora combinada deveríamos, os dois, procurar entre as estrelas do céu aquela que  fosse a maior e mais brilhante de todas e lá fixar os olhos,  procurando no seu brilho, o olhar do outro.

Acreditávamos que, de alguma forma, nossos olhares se encontrariam por lá.
Fui ao tal encontro no dia e hora marcada, mas jamais fiquei sabendo ao certo se Ela fez o mesmo.
Mesmo sem saber, aquele seria um dos momentos mais especiais em minha vida, que guardarei comigo para sempre.


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A net faz parte da minha vida. Dedico boa parte do meu tempo livre ao trabalho na minha página pessoal.
Fiz aqui boas amizades nestes quatro anos. Contudo, neste momento três nomes permanecem na minha mente e no meu coração:


A escritora Samelly Xavier: Autora de dois livros; entre os quais "Ousadia", que tive o privilégio de prefaciar. Pessoa transparente, que fala o que pensa e age sem medo de errar. A tenho como irmã.

Flávia Andréa: Professora. Revisa comigo todos os meus textos, que na maioria das vezes, são escritos aqui mesmo na net. É amiga de todas as horas.

Silvya Seny: A Menina Poeta. Escritora com diversos livros publicados. Consegue reunir  todas as qualidades. Sensível, inteligente, bonita. Literalmente, um oásis no deserto.

Obrigado pelo carinho e tempo dedicado a mim.


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Meu amigo "Birita" adorava uma promoção. Onde quer que houvesse uma, ele não resistia em parar.
Não sei a origem do seu apelido, mas não deve ser devido ao consumo de bebidas, pois o forte dele era comer. E como comia!...

Num dia desses, paramos em uma barraca de salgados que exibia o seguinte cartaz:
"Promoção: 3 Bolinho de Aipim + 1 Suco por apenas 1 Real".

"Birita" achou uma pechincha e me convenceu a parar para comer.
De fato, os bolinhos eram enormes, o que, a princípio agradou meu amigo.
Começou a morder o bolinho como se não comesse pra mais de mês.

Já tava quase mordendo os dedos, e nada da carne de recheio do tal bolinho, ou algo parecido.
Olhou pra mim desconfiado, achando que talvez, eu tivesse maior sorte. Que nada! Tivemos que colocar catchup pelo meio pra ver se descia melhor.

Depois do terceiro bolinho, e como nossa sorte não tinha aumentado, "Birita" protestou:
 “- Cadê a carne do bolinho moço?” ·
 “- Não tem nada sobre carne no cartaz da promoção". Respondeu o vendedor.

Realmente, relemos o tal cartaz e nada havia lá a respeito de algum tipo de recheio. Tivemos mesmo que nos empanturrar de Aipim.

Morremos de rir, sempre que relembramos o fato.

"Birita" nunca mais quis saber de promoções, muito menos de Aipim. Pudera!


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Recentemente, tive dois momentos importantes e distintos na minha vida. Uma alegria e uma tristeza.

A alegria ficou por conta da escolha e publicação de um texto meu num site de Portugal (Lusilinha).
A escolha de um texto de humor como o "Jeep Willys 54”, me surpreendeu; visto ser o referido site bastante conservador na escolha e publicação dos seus textos.

Minha grande tristeza se deve ao fato de pouco tempo depois, meu tio Odilon, personagem principal da história, ter falecido.

Lembro da alegria do meu tio, quando lhe disse que havia contado a história dele e do seu velho jeep no meu site. Ficou radiante e contava pra todos.
Como ele não tinha Internet, imprimi o texto pra ler em sua casa na cidade de Carvalhos, Minas Gerais.
Ele ainda assistia à novela das oito e interrompeu para me ouvir. Ficou sério por alguns segundos, enquanto eu me preparava para a leitura.
Tive que interromper muitas vezes, de tanto que ele ria. Tanto, que enxugava as lágrimas na sua velha camisa de dormir.

Foi a última vez que o vi e esta foi à imagem que guardei dele.

Tio, não pude me despedir do senhor, pois já estava de volta ao Rio. Nem o quis, pra não perder aqueles seus sorrisos.
Aqui se costuma dizer que a net tem magia. Se isso for verdade, que esta mesma magia leve, onde estiver, estas minhas palavras. E pela última vez, peço sua benção, com respeito e todo meu carinho.


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Eu deveria ter uns dezoito anos, quando meu grande amigo João me pediu pra escrever um verso pra namorada dele. Foi um verdadeiro desastre, pois o nome dela era Gasparina.

Assim escrevi: Gasparina, entre todas as estrelas,
                       Você é a luz que me ilumina.

Ela detestou! Achou que era uma alusão à luz de lamparina.

Quase que meu amigo perde a namorada por minha causa. Depois ela o perdoou. Afinal de contas, era uma mulher "iluminada". Foi mal João!


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Em Carvalhos, minha terra natal; os fazendeiros amarravam seus burros ao lado do prédio da Prefeitura da cidade, o tempo necessário pra fazer suas compras.
Como os animais ficavam se esfregando nas paredes da Prefeitura, incomodando o trabalho dos funcionários; o Prefeito mandou que fosse afixado no local o seguinte cartaz:

"Pedimos as pessoas que não amarrem seus burros neste local, pois incomoda os outros que estão lá dentro".

Isso é o que chamo de uma burrada...


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Bem em frente a minha casa, existe uma Igreja da "Assembléia de Deus", e os carros lotam a calçada nos finais de semana. Ali, bem a minha frente, estacionou um desses carros de cor branca, com uma frase pintada em sua traseira, que dizia o seguinte:


               "O Deus que eu conheço não quebra quando cai no chão!"

É uma frase bem conhecida por todo mundo. Muita gente vive repetindo ela e outras por ai.
É uma clara alusão e crítica aos católicos pelo culto às imagens.
Depois de ler a tal frase repetidas vezes; peguei uma folha de papel ofício e escrevi uma outra frase, a qual  prendi com fita adesiva, bem em cima da que estava pintada no carro:

                 O Deus que eu conheço não quebra e nem cai no chão.

Na semana seguinte, o mesmo carro parou bem em frente de onde eu estava. Meu espanto foi grande, ao ver que o proprietário havia substituído a frase anterior pela minha.
Ele nunca ficou sabendo do autor. Talvez tivesse imaginado algo sobrenatural, ou coisa parecida.

Minha intenção foi apenas chamar a atenção dele de que; antes de nos apressarmos em críticas aos outros, devemos primeiro refletir sobre nós mesmos.

Afinal de contas, não somos meros Papagaios.


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Não tive a oportunidade de fazer o mesmo na frase do carro acima. Se tivesse, certamente escreveria:

Deus dê vida longa aos meus amigos, e a vitória de não fazer inimigos.


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Juliana é uma menina divertida! Mora bem perto daqui de casa, e volta e meia nos falamos na net.

Dia destes, ela me perguntou do que eu gostava de brincar, quando era adolescente. Respondi que nunca gostei de soltar pipas ou bolinha de gude. O que eu gostava mesmo era brincar de boneca.

Quase que ela teve um "treco". Achou que aquilo era uma revelação "bombástica".
Logo em seguida em expliquei que, quando eu era adolescente, tinha umas vizinhas que eram verdadeiras "bonecas".

Ela nem esperou eu "molhar o bico"...


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Gostava de passar as férias na casa do meu primo Nilton, em Minas Gerais, e havia uma senhora, de nome Euclides, que vendia fubá de porta em porta, pra ajudar no sustendo da sua família. 

Seu marido era conhecido como "Dito Cebola", e seu filho Márcio como "Cebolinha" ( com tantos cereais dentro de casa, suponho que a mesa era farta).

Por conta disso, a molecada não tardou em colocar nela o mesmo apelido: "FUBÁ".
Ficava furiosa, quando a chamavam assim.

Perturbavam tanto a dona Euclides, que ela achou de carregar sempre consigo uma vara de goiabeira, pra acertar os engraçadinhos.

Nunca ninguém havia me contada a tal história do apelido, e naquele dia, eu tinha acordado um pouco mais cedo, pra pegar o pão quentinho na padaria.

Na volta pra casa, a tal velhinha caminhava bem perto de mim, quando encontrei com meu primo pelo meio do caminho, que me questionou:

 “-Ué, já comprou o pão?".

Na minha ingenuidade, e sem imaginar as consequências, me gabei:

- Enquanto você ia com o milho, eu já vinha com o fubá!

Levei uma varada pelas pernas, aplicada pela velhinha de fazer riscos.

Nilton ria sem parar, enquanto eu corria da mesma forma, com a tal velhinha no meu calcanhar.


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Algumas vezes, nos finais de semana, eu, meus amigos Ítalo, Vitor e Ivan, nos reunimos pra falar de assuntos variados.
Talvez devêssemos estar discutindo futebol, ou bebendo cerveja no bar da esquina; como todo mundo normalmente faz por ai. Mas a impressão que tenho é que somos todos "Ets". E que um dia destes, um disco voador vai voltar pra nos resgatar.

Tomara que tenha lugar pra nós quatro!

Brincadeiras à parte; todos os três são pessoas extremamente inteligentes, bem informadas, e sempre aprendemos um com o outro.

Coisa de duas semanas passadas fizemos um destes encontros, ao qual Ítalo costuma chamar de "mesa redonda" (se bem que a mesa na qual nos reunimos é quadrada... rssssss). Bom, isso não vem ao caso.

Invariavelmente, descambamos para Ciências, Teologia, Filosofia, ou Teoria da Evolução (ainda continuo achando que é mais fácil falar de futebol...)
Bem, como a tendência dos irmãos Vitor e Ítalo é sempre pela busca da prova científica e da lógica; coloquei o seguinte pensamento para reflexão:

- Se eu não a amasse, a detestaria.

Ítalo e Vitor não viram muita lógica na frase. Entenderam como contraditória.

Têm razão! É contraditória porque contraditório e ilógico é o Amor.
É possível que se ame alguém e se sinta repulsa pelo seu comportamento e atitudes.
O ódio parte não elimina o Todo, mas o Todo (Amor), pode desconsiderar a parte.

Chegamos mesmo a procurar o significado do vocábulo num dicionário; que o descrevia como "reação química". Descrição merecida pra quem precisa recorrer ao dicionário pra saber o que é Amor!

Podemos até reproduzir num tubo de ensaio os elementos químicos, que agem e reagem no momento de um alto estado emocional. Contudo, o resultado não vai ser o sentimento em questão como entendo. E entendo como algo além da pura matéria; num nível consciente/inconsciente. Sabemos que existe, mas não sabemos muito bem como explicar.

A reação química não é a causa. É consequência. Não gera o sentimento. Este produz a reação química porque a precede.

É bom que não se entenda o Amor como "paixonete", "ficar", "dar um rolé", "uma saidinha", ou uns beijinhos.
Isso nem arranha seu verdadeiro significado.

Só entende mesmo quem já o viveu, pois está além do que seja possível reproduzir num tubo de ensaio, ou que palavras possam expressar.

E o Ivan, como vai nesta história? Segundo ele, vai bem obrigado!...rsrsrs

Nota: Para que não prevalecesse só o meu ponto de vista e dos irmão Vitor e Ítalo, pedi a minha querida amiga; a escritora Samelly Xavier, que colocasse aqui suas considerações sobre o assunto. Como dizem por ai; "passei a bola". Desta vez, redonda mesmo...

"Bem, na minha reles opinião de quem não participa de mesa redonda em mesas quadradas (hehehe) acho que: os elementos químicos que tem na fórmula "amor" são desconhecidos quanto seu funcionamento, mas reconhecíveis sempre pelos seus efeitos; dai o remédio pode ser veneno ou vice-versa e é por isso que é possível sim, imaginar que se aquela combinação não provocasse o que só ela provoca, teríamos repulsa, no lugar daquilo que pulsa nos corações, mais chamado de amor.

Quanto ao Ivan, coitado, ouvi falar que está entubado... kkkkkkkkk"

                                               Samelly Xavier


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Dona Judite era mais que uma pessoa da família. Era minha Amiga!
Adormeci muitas vezes no seu colo, enquanto ela fazia seu crochê e contava suas histórias.

Tinha grande admiração por sua paciência com tudo. Da sua forma simples de entender o mundo. Ficava impressionado com sua habilidade em fazer crochê.

Eu nunca conseguia acompanhar os movimentos das suas mãos com a agulha.
Feito mágica, seus dedos entrelaçavam a linha, como se bailassem sobre a renda. E, de repente, uma nova forma surgia, do que era antes um simples novelo.

Escrevi um pequeno texto para ser lido na sua "Bodas de Ouro". Gostou tanto que vivia repetindo que eu era muito "inteligente".

Muitas vezes refleti sobre aquelas suas palavras...

Ela me admirava pelo que eu escrevia, e eu a ela pela forma mágica com que fazia seu crochê. Para mim, ela era muito "inteligente". Tínhamos apenas aptidões diferentes.

Inteligência e aptidão são coisas diferentes. Aptidão é aquilo que se faz; inteligência, a forma como se faz.
Ninguém é melhor, ou pior; mais, ou menos "inteligente" por saber fazer algo diferente.

O maior exemplo de inteligência não é aquilo que fazemos NA vida; mas o que fazermos COM ela.

É um conceito condicionado a um tempo e/ou espaço determinado.

Imagine se eu chegasse em uma comunidade indígena desconhecida e anunciase que era um "expert" em informática.
Se fossem canibais; provavelmente me devorariam com "XP" e tudo. E eu nem teria chances pra formatar...

Naquela comunidade, "inteligente" poderia ser considerado quem tivesse maior habilidade pra pescar, por exemplo.
Meus conhecimentos sobre informática, não me valeriam de nada ali.


Quem já se julga "inteligente" por ter algum conhecimento específico; logo, logo, vai se achar um "expert", e parar de aprender. Pra que aprender se já se é um expert?.

Corre o risco de se considerar um sábio logo adiante.

Sábia era dona Judite que nunca achou de ser.

Foi a maior lição que aprendi com ela; mesmo sem nunca ter desejado me ensinar.


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Esta semana, minha amiga Flávia Andréa, me questionou se eu tinha assistido ao programa sobre a infidelidade feminina, levado ao ar pela Rede Globo, através do "Globo Repórter", na sexta-feira, dia 09/02/2007.

Decidi respondê-la aqui mesmo na net, por achar que este assunto é de interesse geral.

Confesso que, naquele horário, eu estava numa pizzaria, ouvindo meu irmão Fabio cantar. Bem a minha frente havia uma Tv ligada no referido programa. De forma que eu dividia minha atenção com as músicas que ele cantava e o programa na Tv. Contudo, tenho posição bem definida a respeito do assunto.

Veja Flávia, sempre costumo dizer que não existe maior traição ou infidelidade do que a si mesmo. Trair o outro não é bom, mas pior é trair a si mesmo. (a)
Se é possível pensar em uma justificativa para tanto, só me passa pela cabeça o Amor. Se tiver que acontecer, que seja por Amor.

Porque, fora disso, mais que desconsiderar o outro, é desvalorizar a si mesmo (a).
É banalizar relações. É futilidade, leviandade.

Há quem encontre justificativa em transar fora do casamento, pelo simples desejo da "novidade"; mesmo sem sentimentos envolvidos.
Algumas vezes,  a diferença entre transar por "novidade", ou por dinheiro, está num simples e sutil detalhe de frequência.

Quem faz sexo por dinheiro não engana, nem deseja enganar ninguém. Quem pensa estar fazendo por "novidade"; acredita que engana todo mundo, mas não percebe que só engana a si mesma.

Muita gente poderia argumentar que só dar uma saidinha pra dar uns quatro beijinhos e umas "raladinhas", sem o fato ser consumado, deve ser relevado. Melhor que tivesse, pois não faz diferença alguma. Apenas cria uma falsa e conveniente sensação de "consciência tranquila". 

É um bom argumento para adolescentes sem responsabilidades, ou satisfações a dar. Não para quem já tem família constituída. Porque se corre o risco da vulgaridade e de se transformar em rotina.

Minha amiga Flávia, certamente diria que sou muito conservador. Ela tem razão quanto a isso. Criei um site "Coisas do Coração", e o que mais faço lá é falar justamente sobre a grandeza deste sentimento. De forma alguma poderia banalizá-lo.
Sou sim conservador, se o preço for defender o que entendo por Amor.


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No dia em que decidi montar um site, jamais poderia imaginar à proporção que tomaria. Queria fazer algo diferente de tudo que já tinha visto. Não seguir cartilha, nem preceitos, ou preconceitos de quem quer que fosse. Ousadia; era o que eu queria!

Lembro de um"webdesigner", que depois de ver meu site; disse-me que não tinha "padrão". Verdade. Nunca teve! Esta é uma das propostas. Não seguir pegadas de ninguém. Incomoda-me a idéia de "ser mais um". E isso também vale pra vida sentimental (a quem interessar possa... hehehe).

Quando era criança, ficava observando os patinhos andarem enfileirados atrás da "mãe pata". Se ela virava pra esquerda; lá iam todos no mesmo sentido. 

Parava-se de repente; tropeçavam um no outro, em efeito dominó. Nunca desejei ser "patinho". (prefiro ser chamado de "gato"... kkkkkk). Gosto de abrir caminho, não seguir picada de ninguém. Quem segue pegadas de outros, arrisca menos, mas só chega até onde outros chegaram. E muitos só chegam até o "bar da esquina". A net vai infinitamente além.

Acaso alguém já viu por ai um Site de Poesias com um "Boeing" cruzando a tela, na página principal?
O "padrão" são anjinhos barrocos, fadas, fundo musical de "missa de domingo" (rsrsrs), ou algo parecido.
Site padrão é como cueca de anão: não espere encontrar "grandes" novidades...

Não me incomodam as críticas. Até as prefiro, pois quando todo mundo pensa a mesma coisa, na verdade, ninguém está pensando. O desconhecido é o melhor caminho para aprender sempre mais.

Como dizia Nelson Rodrigues: "Toda unanimidade é burra".

Tenho recebido muitos e-mails de pessoas de várias partes do mundo, que visitaram minha página pessoal. Sinto que não é mais só minha. A criatura superou o criador.
Sou agora personagem, como tantos outros que lá estão.


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Conta-se na cidade de Carvalhos, que havia um sitiante de nome Zé Basílio, do afastado lugarejo de Sertãozinho, que raras vezes ia a cidade. Naquela manhã de sábado, sua comadre, pediu-lhe que lá fosse pra comprar uma caixa do seu sabonete preferido; muito conhecido na época pelo nome de sabonete "yá yá".

Basílio arreou sua mula e partiu rumo a cidade. Logo na entrada, achou de comprar uma galinha caipira de um menino, que vendia pela estrada, e colocou no seu embornal, que havia pendurado na montaria.

Já na cidade, procurou a venda mais próxima pra comprar a encomenda de sua comadre e a colocou dentro do mesmo embornal, junto com a galinha.
Quando estava quase de partida; viu alguns meninos em alvoroço numa outra venda.
Havia acabado de chegar na cidade de Carvalhos algo, que até então era desconhecido de todos: uma máquina de fazer picolé.

Basílio achou que era um doce e experimentou. Gostou tanto que pediu seis pra levar pra toda família. Colocou junto com a galinha e os sabonetes da comadre, naquele mesmo embornal.

Duas horas depois chegou no sítio e chamou todos para verem as novidades. Quando abriu seu embornal; só encontrou lá a tal galinha caipira, coberta de espuma do sabonete "yá yá", que havia sido derretido pelo picolé.

Basílio então esbravejou: "-Ei galinha escumungada! Comeu os doces tudo e ainda tomou banho com os sabonetes de comadre!".


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Está em  moda  as Câmeras Digitais. Fotografam com perfeição e nitidez. Qualquer beleza, por maior que seja; fica ainda mais atraente no foco das suas lentes.

Acompanhei o modismo e decidi comprar uma também.
Quando contei a novidade pra minha amiga Flávia; ela me perguntou:

"- Mas não fotografa a alma, né?"

Hesitei algum tempo e respondi que isso só quem pode fazer são os poetas mais experientes.
Prefiro acreditar neles, do que nas lentes frias das digitais.

Todos os dias vemos as pessoas como se fossem focadas através de lentes digitais: coloridas, perfeitas, de beleza sem retoques.
Na maioria das vezes, somos conduzidos a isso, pois há pessoas que, embora se digam "sinceras"; mentem com tanta convicção de verdade; que chegam mesmo a acreditar em suas próprias mentiras.

Meu pai já dizia: "Onde passa um boi, passa uma boiada".

Das mentiras pra coisas piores é apenas mais um passo.
Como toda boiada tem seu último boi; todo conjunto de mentiras também tem o seu final.

Ai sim podemos enxergar no horizonte, quais pessoas ficam como amigos e quais devem seguir com a "boiada".

Talvez algum dia inventem máquinas digitais que possam revelar o interior das pessoas.

Talvez, quem sabe, ainda inventem pessoas que não precisem de máquinas, nem poetas para serem reveladas.


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Linda a menina da foto, né? Tem todas as qualidades que uma mulher precisa ter; além da pura beleza.

Vinícius de Morais já dizia: "Me desculpem as feias... mais beleza é fundamental".

Beleza é mesmo fundamental, mas se parar por ai, só serve mesmo como "pitstop".
Beleza pura é como Yogurte de marca desconhecida: Tem pouco prazo de validade.

O que será que Vinícius diria dos homens? Que beleza também é fundamental? Com certeza!

Talvez, fosse bom ser Alexandre Frota algum dia: Símbolo sexual e cabeça vazia. Sei não!

Dia destes, depois de ler um dos meus poemas; uma menina comentou: -"O poema é lindo e você é muito simpático!"

Ora, juro que trocaria o "lindo" do poema, pelo meu "simpático". Ninguém merece...rsrsrsrs

À menina da foto; o meu reconhecimento das qualidades e da grande beleza.


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Em Cima do Muro”

 

Não escolho minhas amizades com base em qualquer tipo de pré-conceito: político, raça, crença religiosa. Seja lá qual for.

Claro que é uma tendência natural que tenhamos ao nosso redor pessoas com afinidades e idéias parecidas. Mas isso é uma seleção natural, e quando deixa de ser para ser imposta; vai de encontro ao princípio da liberdade individual.

Meu amigo Gabriel Ribeiro é uma excelente pessoa. Pastor titular de igreja evangélica.
Certa vez, eu passava em frente a sua sede; quando o avistei, e parei para cumprimentá-lo.

Trocamos algumas idéias, e em seguida ele me questionou o porque de eu não participar da sua igreja.

Eu estava com um livro nas mãos e disse-lhe o seguinte:

- Imagine que eu colocasse este livro do outro lado da rua. Talvez pudesse ler o título, mas jamais poderia ler e entender o seu conteúdo. Contudo, eu poderia observar tudo que agora está acontecendo a  minha volta.

Imagine agora que eu faça justamente o oposto: que coloque o livro colado aos meus olhos. Talvez não lesse sequer o titulo pela proximidade. Muito menos veria os acontecimentos ao meu redor. A minha visão estaria completamente obstruída.

Imagine ainda que eu decidisse por uma terceira opção: que colocasse o livro a distância do comprimento do meu braço. Conseguiria ler o titulo, entender seu conteúdo, e perceber tudo que acontecesse nesse momento.

Concluí: Acredito que esta deve ser a posição correta em tudo na vida. A medida certa; o equilíbrio.

Assim, faz melhor quem coloca o livro a distância dos seus braços, ou mesmo do outro lado da rua, do que aquele, que com ele, ou por causa dele; nada mais é capaz de enxergar.


Gabriel deu um sorriso discreto, fez uma pausa, me olhou e disse:

"- Eu acho que você ta é em cima do muro!"

Retribuí com o mesmo sorriso e respondi:

- Talvez, mas daqui do muro, de onde você diz que estou posso ver todos os lados, enquanto você, em um deles; só consegue ver o seu...

Passados dez anos; Gabriel continua Pastor, e eu no "muro", onde ele me colocou...


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Sempre costumo dizer que meu maior desafio é descobrir o próximo. Fazer chover em uma foto me pareceu um bom desafio. Melhor ainda quando, ao final, se tem a certeza de que há poesia em cada traço do rosto feminino. Há poesia na chuva, e em tudo mais que existe. O maior desafio de cada um nós é perceber tudo isso...

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