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Carlos Lucchesi


                                                                               Marcas de um Beijo










... Quase não podia acreditar. Pela primeira vez eu estava diante dela, muito próximo do seu rosto.

Podia ver seus lábios transpirarem, pelo nervosismo daquele nosso primeiro
momento.

Ela permanecia imóvel, com os olhos fixados nos meus.

Afastei suavemente a mecha de cabelo, que cobria parte da sua face, e a olhei, sem dizer nenhuma palavra, tirando dela um leve sorriso.

Podia beijá-la naquele momento, mas não resisti ao desejo de desenhar os traços do seu rosto com o toque dos meus dedos.
Suave, como pluma que flutua ao sabor do vento.

Ela tocou seu rosto no meu e pude sentir seu perfume, e as mãos entrelaçaram, apertaram-se na força daquele instante.

Seus lábios avermelhados viraram-se ao encontro dos meus e se tocaram suavemente.

Umedeci os meus e deslizei nos dela carinhosamente de um lado para o outro, como se estudasse os  caminhos.

As mãos uniram-se ainda mais, e o coração acelerou descontrolado.

Não dava mais pra esperar, e um beijo profundo aconteceu.

As línguas se encontraram, e dançaram muitas vezes. Seus seios lançados contra meu corpo me aqueciam, como sol nas manhãs frias de inverno.

Meus lábios nos dela; os dela nos meus. Inteiros, inquietos, penetrantes; como se um já fosse o outro.

O sabor; indefinível, que jamais pude esquecer. E a cada suave mordida no seu queixo, Ela ofegava intensamente.

Minhas mãos perderam-se nas ondas dos seus cabelos, e só se reencontraram nos contornos do seu pescoço.

Um beijo bem próximo ao ouvido, e seu corpo tremeu em arrepios.
Contorcia-se; quase perdia os sentidos.

Já era quase fim de tarde, quando os olhos se abriram novamente...

Hoje, Ela me chama de amigo, como se aquele nosso primeiro beijo jamais tivesse acontecido.