Carlos Lucchesi.

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Cresci ouvindo meu pai dizer que trabalhava duro pensando no dia da aposentadoria. Que quando chegasse esse dia, finalmente poderia descansar e ser mais feliz.

Sempre que me dizia isto, eu lembrava de uma história bem antiga:

Um homem, perseguido por um urso corria em disparada, até que chegou a beira de um abismo. Se ficasse, seria devorado pelo urso faminto.

Se pulasse, havia uma boa chance de conseguir se salvar.
Pulou!

Conseguiu se agarrar em alguns galhos na encosta do abismo e se pendurar. Contudo, não suportaria ficar assim muito tempo, pois já lhe faltavam as forças nos braços.

Olhou para baixo onde deveria cair, e havia uma onça com dentes afiados a sua espera.

Desviou então sua atenção para seu lado direito, onde viu um pequeno morango num pé que ali teimava em nascer.

Já havia comido muitos morangos na sua vida, mas aquele lhe pareceu especial, pois talvez fosse o seu último.

Voltando ao meu pai, creio que ele jamais percebeu como é importante ser feliz no presente, e não ficar adiando a felicidade. Pequenos detalhes, como aquele morango podem ter todo o sabor da diferença.

Ele sei foi aos 61 anos de idade, alguns meses antes de poder receber seu primeiro salário da aposentadoria.

Temos a mania de deixar pra sermos felizes depois do carro zero, da reforma da casa, da Tv digital; e acabamos por esquecer o dia de hoje.
Quanto ao personagem da nossa história?
Dizem que por puro milagre escapou, e conseguiu a sua segunda chance...







                                                                         
                                                                     Morangos de Todo Dia
                                                                                                                             À meu pai Edson Lucchesi