Ver para Crer

Caso real dá conta de que um humilde pedreiro fora contratado para a construção de um muro, em uma das ruas mais movimentadas da sua cidade.

No dia combinado, começou a sua empreitada, derrubando o antigo murro que ali houvera sido erguido anos passados; causando algum transtorno aos que passavam pelo local. De início, poucos acreditavam que das mãos daquele ancião pudesse sair algo que surpreendesse. Seria apenas mais um muro, entre tantos outros da mesma rua.

Retirado todo o entulho, o velho empreiteiro começou a sua arte, e bastaram apenas alguns dias para que alguns parassem para olhar, notando, já naquele início, um toque de mestre.

Mais alguns dias adiante, já se fazia ouvir as palavras de estímulo:

_ “Ta ficando bom heim!” Dizia a maioria.

Entre todos, apenas uma velha senhora, que carregava um livro debaixo do braço, jamais parou. Limitando-se a olhar sem tecer qualquer comentário que fosse.

Quase ao final, os carros diminuíam a velocidade, a fim de contemplar melhor o esmero do trabalho realizado, causando acúmulo, no já intenso trânsito daquela rua. Todos repetiam as mesmas palavras:

_ “Parabéns pelo belo trabalho!”

No prazo combinado da entrega do serviço, tinha o mestre feito muitos amigos e clientes por toda parte, e só naquele último dia, a senhora com o livro debaixo do braço parou para cumprimentá-lo:

_ “Quero lhe dar os parabéns pelo belo trabalho realizado e aproveitar para lhe falar deste livro, que contém a verdade sobre tudo que o senhor precisa saber e acreditar.”

O velho mestre olhou bem fundo nos seus olhos e respondeu:

_ “Quando iniciei o meu trabalho, ou mesmo no meio do caminho, a senhora jamais me cumprimentou, e me nega agora o mesmo tempo que precisou”.

Por maior que seja uma verdade, não se colhe antes de plantar e há de se cuidar, enquanto ainda floresce.

                              



Carlos Lucchesi






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